Resumos

 

 

 

V JORNADA DE ESTUDOS DE

LITERATURA TRADUZIDA

BRASIL - ITÁLIA

 

 

Resumos

 

 

CONFERÊNCIA

ITÁLIA E BRASIL: CULTURAS EM CONTATO

02/10/2017

19h30 às 21h

Sala 261

Letras (FFLCH/USP)

 

Mariarosaria Fabris 

Professora Doutora (FFLCH/ USP)

 

Breve panorama das relações culturais entre os dois países do século XVI à atualidade, destacando principalmente aspectos literários e de áreas afins como história, ópera, teatro, cinema e artes visuais.

 

MESA 1

Dia 03/10/2017

09h às 11h

Sala 261   

 

 

DAS PERIPÉCIAS DE TRADUZIR E NÃO TRAIR NATALIA GINZBURG

 

Homero de Freitas Andrade

Professor Doutor (FFLCH/USP)

 

Será apresentado um depoimento sobre a experiência de traduzir os romances Lessico famigliare, Caro Michele e La famiglia Manzoni, levando-se em conta o problema da recriação do estilo da escritora para o português e as dificuldades enfrentadas durante o processo de tradução.

 

 

AO RÉS DO CHÃO: NOTAS À TRADUÇÃO DE NATALIA GINZBURG

 

Mauricio Santana Dias

Professor Doutor (FFLCH/USP)

 

A partir de uma leitura dos ensaios "Le scarpe rotte", "Il mio mestiere" e "I rapporti umani", reunidos no livro Le piccole virtù, procurarei pensar em paralelo o tipo de escrita elaborado por Natalia Ginzburg e o ato próprio da tradução.

 

 

CARTAS DO CONFINAMENTO

 

Sara Debenedetti

Doutora (FFLCH/USP)

 

Serão apresentados trechos de algumas cartas pessoais inéditas, que Natalia Ginzburg escreveu nos anos de confinamento, mostrando como elas antecipam gêneros, tipo de escrita e temas que serão característicos de uma parte de sua obra sucessiva.

 

 

MESA 2

Dia 03/10/2017

11h às 12h

Sala 261

 

 

EM ALTO-MAR: NARRATIVA DA PUBLICAÇÃO DE UM LIVRO INÉDITO NO BRASIL

 

Adriana Marcolini 

Doutora em Letras (FFLCH/USP)

 

A publicação no Brasil de Sull’Oceano, de Edmondo De Amicis (1846-1908), lançado na Itália em 1889 e considerado o primeiro romance da emigração italiana, foi resultado de um longo processo que teve início no final de 2011. Naquele ano esta pesquisadora propôs a tradução do livro para um edital do Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Uma vez selecionada, procedeu à tradução. Depois de concluir o trabalho, porém, foi necessário encontrar uma editora para publicar a obra. Esta tarefa revelou-se extremamente difícil e requereu da tradutora muita persistência. Felizmente, quatro anos depois de concluída a tradução, Em Alto-Mar é uma realidade: passados 128 anos, o livro finalmente foi publicado no Brasil em abril de 2017 (editora Nova Alexandria em coedição com o Istituto Italiano di Cultura de São Paulo). As dificuldades de tradução, as vicissitudes para conseguir publicar o livro, a inclusão de dois relatos de De Amicis sobre o Rio de Janeiro e as escolhas de caráter editorial serão o objeto desta comunicação.  

 

 

AS VIAGENS DE ANTONIO TABUCCHI POR UM BRASIL LITERÁRIO

 

Erica Salatini

Doutora (FFLCH/USP)

 

O olhar do viajante estrangeiro ajuda na construção de uma nova identidade nacional? Pode-se falar hoje em identidade nacional? Pretende-se apresentar, com esta comunicação, a produção literária e crítica de Antonio Tabucchi em que o autor volta seu olhar para o Brasil, refletindo sobre este olhar e suas implicações na formação ou desmistificação de uma “identidade cultural brasileira”. Pretende-se ainda dialogar com noções de “brasilidade”, “identidade nacional” em sua articulação com a cultura italiana contemporânea, por meio dos textos tabucchianos que tematizam sua viagem pelo Brasil, seja esta viagem real ou literária.

 

 

LA LETTERATURA DELLA MIGRAZIONE IN ITALIA: IL CASO DELLA SCRITTRICE CHRISTIANA DE CALDAS BRITO E 500 TEMPORALI (2006), PRIMO ROMANZO BRASILIANO SCRITTO IN ITALIANO

 

Maria Gloria Vinci

Doutoranda (FFLCH/USP)

 

Solo  in tempi relativamente recenti si è arrivati anche in Italia ad un cospicuo filone  di studi postcoloniali, perché l’Italia, com’è noto, non ha avuto domini coloniali all’altezza di quelli dell’Inghilterra o della Spagna, ma esperienze tarde e di più breve durata. Inoltre, l’Italia ha conosciuto consistenti ondate di immigrazione solo negli anni Novanta del Novecento, a cui risalgono anche i primi testi in lingua italiana di scrittori e

di scrittrici di origine e di madrelingua straniere. Christiana de Caldas Brito è, senza dubbio, una delle autrici di maggior spicco in questo panorama. Brasiliana di Rio de Janeiro, arriva in Italia negli anni Ottanta e qui  pubblica due raccolte di racconti, Amanda, Olinda, Azzurra e le altre (1998) e Qui e là (2004) e un romanzo, 500 Temporali (2006), che  Armando Gnisci, come si legge nella quarta di copertina, ha definito a ragione “primo romanzo brasiliano scritto in italiano” (GNISCI,2006).  In questo intervento vorremmo allora soffermarci  su tale opera, e, in particolare, sul  percorso di andata e ritorno, per così dire, compiuto da tale romanzo.  Un percorso che può essere descritto  come “evento prolungato di transculturazione”, in cui una brasiliana migrante pubblica in Italia un romanzo, ambientato nelle favelas di Rio de Janeiro, scritto in italiano, e questo romanzo viene tradotto successivamente  in  Brasile in portoghese, la lingua della scrittrice, da una traduttrice italiana che vive in Brasile.

 

 

MESA 3

Dia 03/10/2017

14h às 16h

Sala 261

 

 

PERITEXTOS DE HILAROTRAGOEDIA: ABORDAGENS DA LITERATURA DE GIORGIO MANGANELLI TRADUZIDA NO BRASIL

 

Lucas Sousa Serafim

Doutorando (UFSC)

 

Esta comunicação pretende observar os peritextos que compõem uma das obras de Giorgio Manganelli, Hilarotragoedia, que é publicada no Brasil pela Imago, em 1993, na “Coleção Lazuli”. A tradução e posfácio é assinada por Nilson Moulin e a apresentação por Andrea Lombardi. Traz poucos elementos peritextuais: capa simples com somente nomes da obra e autor, quarta capa com um excerto inicial da narrativa, orelhas assinadas pelo próprio autor (Giorgio Manganelli), apresentação, posfácio, ao final do livro consta três pequenos currículos (do autor, do tradutor e do apresentador), e um pequeno resumo da coleção. A investigação se pauta nas possibilidades de leitura desses elementos, tais como: os livros que constam da coleção, as informações da apresentação ou quarta capa, as informações do próprio autor na orelha, os desafios que o tradutor destaca, entre outras. A maneira pela qual tais elementos podem instigar um público leitor para a interação com a obra, atraindo ou repelindo, esse é o bojo desta comunicação.

 

 

CLARICE LISPECTOR TRADUZIDA: UM BREVE PERFIL

 

Dayana Loverro

Mestre (FFLCH/USP)

 

Serão apresentadas observações acerca das obras de Clarice Lispector traduzidas na Itália, buscando refletir sobre os diversos momentos de publicação no país. Com base nesse perfil, serão analisados alguns trechos selecionados, com vistas a aspectos tradutórios particulares na relação entre os textos de chegada e de partida.

 

 

(TRANS)BORDAR: EPITEXTOS E TRANSVERSALIDADES DA OBRA DE

PALAZZESCHI NO BRASIL

 

Égide Guareschi

Doutoranda (UFSC)

Docente (UTFPR)

 

Esta comunicação pretende pensar sobre os ecos da obra do poeta florentino Aldo Palazzeschi (1885-1974) no Brasil. Ele foi um poeta muito importante para a literatura italiana do início do século XX, bem como deixou marcas em outros contextos literários, como é o caso do modernismo brasileiro. Nessa época, foi lido em italiano pelos escritores modernistas e, ainda hoje, as traduções da sua obra, em português, são raras. Nessa perspectiva, pretende-se analisar os elementos paratextuais que compõem e (trans)bordam a tradução brasileira do romance palazzeschiano Irmãs Materassi, publicado em 1988 e reeditado em 1993. É um romance célebre de 1934 e, conforme consta na edição brasileira, assinada por Carmelo Distante, esse livro “traz um quadro artisticamente sedutor do tempo em que a Itália vivia sob o jugo do regime fascista” (1993), o que faz dele um romance instigante e que, possivelmente, contribui para a sua repercussão no Brasil.

 

 

AS ANTOLOGIAS DE POESIA BRASILEIRA NA ITÁLIA: CÂNONE E PATRONAGEM

 

Daniel Souza Silva

Mestrando (FFLCH/USP)

 

Antologias de literatura traduzida constroem, reforçam ou alteram cânones de literaturas nacionais, tanto no que diz respeito aos seus autores quanto com relação às respectivas obras, já que selecionam aquilo que será difundido a partir de outros sistemas literários. Compreendido como um subsistema atrelado à cultura de chegada, de acordo com os Estudos Descritivos de Tradução, o sistema de literatura brasileira traduzida na Itália teve, ao longo do século XX, mais presença no âmbito da prosa, sendo ali bem pouco conhecidos os nossos poetas. A partir do levantamento das seleções e apresentações de poetas brasileiros feitas em antologias italianas no arco temporal de duas décadas, o intento deste estudo é analisar as chaves de leitura aplicadas aos textos que circularam por estes meios e entender um cânone em formação. Oscilam os poemas que figuram nas antologias a depender dos critérios editoriais, do histórico das traduções e de poéticas que se interpõem ao trabalho do tradutor. A patronagem atrelada a estas obras é decisiva para o seu delineamento e circulação. Todo um programa de reescrita com normas específicas pode resultar de um mecenato mais ou menos diferenciado, nas categorias desenvolvidas por Lefevere para investigar a manipulação da fama literária. A contribuição tenta enfrentar uma lacuna na historiografia da tradução na Itália referente a um período onde a reescrita poética tem um status consideravelmente elevado no campo literário.

 

 

APRESENTAÇÃO DO DICIONÁRIO DA LITERATURA TRADUZIDA

Dia 03/10/2017

16h30 às 18h

Sala 261

 

 

A QUESTÃO DO CONTROLE DE AUTORIDADE NA LITERATURA

ITALIANA TRADUZIDA

 

Fernando Modesto

Professor Doutor (ECA/USP)

 

 

Abordagem sobre o conceito e aplicação do controle de autoridade como um processo de unificação dos registros de obras (no caso, de obras da literatura italiana traduzida), mediante a utilização de uma forma normalizada, e que contribui para a pesquisa e recuperação nos catálogos bibliográficos automatizados, além de mostrar as relações entre autor, tradutores, títulos e edições destas obras. Destacar a importância da normalização dos nomes de pessoas e títulos que se constituem em pontos de acesso nos catálogos, bem como da sua finalidade em facilitar  a identificação e a recuperação das obras e dos seus responsáveis (autores, tradutores etc.), evitando conflitos ou confusões decorrente da variedade de nomes pelos quais essas pessoas se identificam.

 

 

A USABILIDADE DOS SITES “DICIONÁRIO DA LITERATURA ITALIANA TRADUZIDA ATÉ 1950” (UFSC) E “DICIONÁRIO DA LITERATURA ITALIANA TRADUZIDA APÓS 1950” (USP)

 

Maria Cristina Martinez 

Especialista (ECA/USP)

 

Considerando a importância de sites acadêmicos bem estruturados e a escassez de estudos sobre o tema, este resumo expandido tem por objetivo apresentar uma proposta de trabalho para o grupo Literatura Italiana Traduzida (no contexto da Arquitetura de Informação), a partir da aplicação de testes de usabilidade nos sites “Dicionário da Literatura Italiana Traduzida até 1950” (UFSC) e “Dicionário da Literatura Italiana Traduzida após 1950” (USP). O desenvolvimento desta investigação contribui com o grupo e seu objeto de pesquisa, na medida em que define estratégias para a evolução contínua do projeto (site e banco de dados).

 

 

DICIONÁRIO BIBLIOGRÁFICO DE LITERATURA ITALIANA TRADUZIDA:

UM PERCURSO

 

Francisco Degani

Pós-Doutorando (UFSC)

 

Dicionário Bibliográfico de Literatura Italiana Traduzida é um projeto de pesquisa desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Universidade de São Paulo (USP) e já cumpriu duas etapas, a primeira (2010-2013), com o levantamento e catalogação dos títulos editados até o ano de 1950; a segunda (2014-2016), com o levantamento e catalogação dos títulos editados a partir do ano de 1951. Ambos os levantamentos estão disponíveis em dois sítios dedicados. A nova etapa iniciada em 2017 pretende unir os levantamentos em um único endereço digital, dando continuidade à catalogação, além de incentivar e expandir as pesquisas dos participantes para assuntos relativos à tradução de obras italianas no Brasil.

 

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PANORAMA CONTEMPORÂNEO E ULTRACONTEMPORÂNEO DA LITERATURA ITALIANA TRADUZIDA NO BRASIL

 

Adriana Iozzi Klein

Professora Doutora (FFLCH/USP)

 

A partir do quadro oferecido pelo Dicionário Virtual da Literatura Italiana Traduzida, a comunicação dedica especial atenção às obras italianas que chegaram mais recentemente ao mercado brasileiro.

 

 

CONFERÊNCIA

PIRANDELLO EM NELSON RODRIGUES

03/10/2017

19h30 às 21h

Sala 261

Letras (FFLCH/USP)

 

Yuri Brunello 

Professor Doutor (Universidade Federal do Ceará/UFC)

 

A fala Pirandello em Nelson Rodrigues tratará de clarear a trama interdiscursiva e intertextual que estreita Rodrigues e Pirandello em uma relação de cumplicidade secreta: Rodrigues reinventa Pirandello, mediante dispositivos de transculturação. A apresentação focará nas três primeiras peças rodrigueanas, A mulher sem pecado, Vestido de noiva e Álbum de família, as quais nos apresentam como exemplo das várias posições que Rodrigues assumiu em relação a Pirandello, e que serão repropostas, alternando-se, no decorrer da inteira produção dramatúrgica rodrigueana. A mulher sem pecado, Vestido de noiva e Álbum de família se delineiam, portanto, como as primeiras expressões de um entendimento intelectual e linguístico com Pirandello, tão complexo quanto fascinante, que o dramaturgo brasileiro vivenciará – ainda que com nuanças diversas–, no decorrer de toda a sua carreira.

 

 

MESA 4

Dia 04/10/2017

08h às 10h

Sala 262

 

A RECEPÇÃO DE CRISTO SI È FERMATO A EBOLI, DE CARLO LEVI

 

Leila Marangon

Mestranda (FFLCH/USP)

 

A primeira tradução para o português do Brasil de Cristo si è fermato a Eboli, de Carlo Levi, foi feita por Nair Lacerda e publicada em 1952 pela Editora Mérito, do Rio de Janeiro, com o título de Cristo ficou em Eboli. Em 1986, a Editora Nova Fronteira, também do Rio de Janeiro, publicou uma nova tradução da obra, realizada por Wilma Freitas Ronald de Carvalho com o título Cristo parou em Eboli.  No presente trabalho será analisado, tomando-se por base publicações na mídia impressa, como foram recebidas no Brasil as traduções da referida obra de Carlo Levi, autor cujo nome já aparecia no noticiário nacional mesmo antes do início de sua carreira de escritor.

 

 

O GIALLO DE LEONARDO SCIASCIA NO BRASIL

 

Maria Amelia Dionisio

Mestre (UFSC)

 

As histórias de detetive que configuram o gênero policial,  entram no Brasil pela porta da tradução a partir da primeira metade do século XX, corroborando uma tendência mundial, já que os romances policiais constituíam best-seller, especialmente nos Estados Unidos, país com uma grande produção de autores do gênero (PAGANO, 2001). Na Itália, onde o policial ganha espaço de público e muitos escritores  adeptos do gênero, destaca-se o nome de Leonardo Sciascia (1921-1989) que prestigiado pela sua perspicácia analítica em abordar à realidade mafiosa da Sicilia, sua terra natal, adota o gênero policial como estratégia de escrita. Pretende-se aqui analisar a recepção de suas obras em periódicos nacionais, buscando assim verificar o contexto de entrada e o espaço que ocupou na literatura italiana traduzida. Pretende-se também analisar as escolhas dos tradutores para as diferentes traduções de A ciascuno il suo (1966), buscando mapeá-las e refletindo assim sobre as diversas experiências dos tradutores quanto à obra em questão (BERMAN, 2007), não trazendo para o mérito o julgamento da obra traduzida, mas sim refletir sobre as passagens dessas experiências.

 

 

A PRIMEIRA RECEPÇÃO DOS ESCRITOS DE PRIMO LEVI NO BRASIL 

 

Aislan Camargo Maciera

Doutor (FFLHC/USP)

 

Primo Levi é um dos autores italianos mais lidos no mundo, considerado uma das principais testemunhas da Shoah . Suas obras, traduzidas em mais de quarenta idiomas, tiveram uma grande difusão seguindo itinerários e períodos dos mais diversos, de país a país. A recepção de seus escritos – conturbada em um primeiro momento – o inseriu definitivamente no panorama da literatura do segundo pós-guerra, transformando-o num dos maiores representantes da literatura italiana da segunda metade do século XX. A intenção inicial de nosso trabalho é evidenciar, através da análise de paratextos, peritextos e epitextos, por exemplo, como a crítica brasileira recebeu o autor no momento da publicação de suas primeiras traduções no Brasil. O foco será direcionado aos escritos sobre duas obras memorialísticas do autor: a primeira, É isto um homem?, e última, Os afogados e os sobreviventes, publicados respectivamente pelas editoras Rocco e Paz e Terra. A intenção, em um primeiro momento, é destacar tal recepção, apresentando a fortuna crítica contemporânea à publicação de ambas as traduções (entre 1988 e 1990) e as eventuais referências a eles em um período imediatamente anterior.

 

 

A EXPERIÊNCIA DE TRADUZIR O MISSIVISTA GIUSEPPE UNGARETTI

 

Laura C. Fiore Ferreira

Mestranda (FFLCH/USP)

 

Giuseppe Ungaretti foi um ávido escritor de cartas, o que é bastante positivo para que haja uma maior compreensão tanto do poeta como da sua obra. No Brasil, porém, até o momento foi publicada apenas a correspondência entre Ungaretti e Edoardo Bizzarri. Para cobrir uma pequena parte dessa enorme lacuna, estamos traduzindo uma seleção das cartas de Giuseppe Ungaretti publicadas no livro L’allegria è il mio elemento, que traz a correspondência entre o poeta italiano e seu pupilo, crítico e amigo Leone Piccioni, durante o período entre 1945 e 1969. A presente comunicação tem por objetivo apresentar a importância dessa correspondência e as dificuldades e possíveis soluções encontradas nessa tradução, focando mais especificamente nos problemas de contextualização, neologismos e sintaxe.

 

 

MESA 5

Dia 04/10/2017

10h às 12h

Sala 262 

 

 

POESIA QUE FALA DE POESIA: OS TEXTOS CRÍTICOS DE GIORGIO CAPRONI

 

Patricia Peterle

Professora Doutora (UFSC) – Pesquisadora CNPq

 

A presente proposta de trabalho se enquadra num projeto maamplois  que é o de abrir diferentes canais para uma maior divulgação, discussão e debates sobre a poesia italiana no Brasil. Uma seleção da trajetória poética de Giorgio Caproni foi em 2012 oferecida ao leitor brasileiro, com organização e tradução de Aurora F. Bernardini. Tal publicação parece ter circulado mais nos ambientes acadêmicos do que entre um público mais amplo. Sem dùvida, a entrada de um nome e sua circulação num sistema cultural depende de uma complexa rede, cujo acesso nem sempre é fácil.

Se esse percurso já se apresenta árduo para textos em prosa, de escritores por cá menos conhecidos (a situação de Italo Calvino, Umberto Eco, Primo Levi, Eugenio Montale, Giuseppe Ungaretti, Luigi Pirandello – mesmo com suas diferenças – é, como se sabe paralela, pois fazem parte de legitimação mais internacional), quando se trata de poesia o caminho é sempre mais laborioso e espinhoso. Nesse sentido, contribuindo para o mosaico da poesia italiana no Brasil e para um alargamento e aprofundamento da figura e da atuação de Giorgio Caproni, como poeta e crítico de poesia, se quer problematizar  e discutir os critérios de escolha e seleção dos textos que compõem o projeto “A porta morgana: a Palavra” sobre poesia e tradução, com previsão de publicação no segundo semestre de 2017.

 

 

ALOYSIO DE CASTRO E AS TRADUÇÕES DE GIOVANNI PASCOLI E

GIACOMO LEOPARDI: OBSERVAÇÕES E INTERSEÇÕES

 

Elena Santi

Doutoranda (PPGLit/UFSC) – CAPES

 

Luiza Kaviski Faccio

Graduanda em Letras – Italiano (UFSC – PIBIC)

 

Tendo em vista a importância de Giacomo Leopardi (1798-1837) e de Giovanni Pascoli (1855-1912) para a cultura e a literatura italiana, este artigo tem como objetivo analisar a repercussão dos autores no Brasil na década de 30. O estudo será desenvolvido através das duas obras traduzidas por Aloysio de Castro, que fazem parte da mesma coleção, publicadas pelo Instituto Ítalo-Brasileiro de Alta Cultura nos anos 30, além de materiais externos como periódicos da época, pensando na definição de paratexto de Genette. Os textos, objeto de estudo, são Hymno a Roma e os Cantos. Além da proximidade temporal das edições, do fato de compartilharem do mesmo tradutor, as obras pertencem à mesma coletânea, mostrando em filigrana laços que merecem ser investigados. Portanto, a proposta do seguinte artigo é também, seguindo os elementos norteadores até aqui apresentados, pensar que tipo de imagem tenta-se criar da literatura italiana com essas traduções, já que parecem ter um projeto estruturado que direciona o trabalho editorial.

 

 

UM BREVE OLHAR SOBRE A LITERATURA ITALIANA NO BRASIL:

CARDUCCI E QUASIMODO

 

Agnes Ghisi

Graduanda

(UFSC)

 

Tatiara Pinto

Mestranda

(UFSC)

 

Diante de incontáveis corredores do “babélico labirinto” que é a pesquisa A Literatura Italiana Traduzida no Brasil, essa comunicação se propõe a tocar uma das paredes do labirinto e pensar um pouco mais sobre a poesia. Abrindo uma das portas encontradas pelo levantamento e catalogação inicial da pesquisa, analisando as traduções de Giosuè Carducci (1835 – 1907) e Salvatore Quasimodo (1901 – 1968), dando destaque para a Coleção Organizada pela Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, patrocinada pela Academia Sueca e pela Fundação Nobel. No Brasil, os poemas escolhidos de Carducci foram traduzidos por Jamil Almansur Haddad e os de Quasimodo por Sílvio Castro. Vale ressaltar que Carducci foi o primeiro italiano a receber o Nobel de Literatura. Pretende-se pensar, ainda, nas pedras/poemas como restos que ficaram de fora da construção labiríntica, bem como, lançar um olhar sobre a recepção e os paratextos dessas obras. Sendo assim, a intenção é aprofundar o argumento a respeito da poesia italiana traduzida no Brasil, buscando trazer maior visibilidade para o assunto, especialmente para as obras poéticas de Carducci e Quasimodo.

 

 

CONTATOS ÍTALO-BRASILEIROS: A TRADUÇÃO DE FRANCESCO

PETRARCA NO BRASIL

 

Fabiana V. Assini

Mestranda em Literatura (UFSC)

 

Helena Bressan Carminati

Graduanda Letras – Italiano (UFSC)

 

Esta comunicação oral tem como objetivo abarcar a área da poesia italiana, analisando uma tradução bilíngue do Cancioneiro de Francesco Petrarca, a partir da reflexão proposta por Gérard Genette em Paratextos Editoriais (2009). Portanto, através do objeto de estudo, que é uma recriação da obra-prima de Petrarca, publicada em 1945 pela Editora José Olympio, pretende-se pensar como essa tradução é apresentada e chega ao público brasileiro, considerando o critério de seleção de sonetos a serem traduzidos, a divulgação e possíveis comentários a respeito da edição brasileira, dentre outros aspectos a serem explorados. 

 

MESA 6

Dia 04/10/2017

14h às 16h

Sala 262

 

 

PARATEXTOS AUTORAIS: CHAVES DE LEITURA OU RASTROS DE UMA ASSINATURA?

 

Silvana De Gaspari

Professora Doutora (UFSC)

 

Um texto, ao ser publicado, deve obrigatoriamente se cercar de elementos exteriores a ele e que o tornarão um livro. Para Gerard Genette, esses elementos são chamados de paratextos. Tais elementos, para o autor, se constituem numa zona indecisa entre o dentro e o fora do texto (GENETTE, 2009, p. 10). Alguns desses paratextos são escritos/produzidos pelos próprios autores e são identificados como paratextos autorais.  Nesse sentido, esta comunicação intenciona analisar algumas das funções do paratexto autoral, identificando até que ponto eles podem representar chaves de leitura ou assinaturas do autor, reforçando os rastros de seu texto, partindo de obras da literatura italiana traduzida no Brasil. A hipótese aqui percebida é de que estes paratextos autorais poderiam nos permitir interrogar o discurso literário a partir de seu exterior, já que tais elementos são definidos por Genette como de responsabilidade do próprio autor do texto, e indicariam elementos definidos e controlados por ele. Tal análise, em tese, poderia nos permitir identificar estratégias utilizadas pelos escritores, na construção de seus textos, podendo constituir-se em chaves de leitura ou assinaturas autorais.

 

 

DARIO FO NO BRASIL: OS PARATEXTOS DE SUAS OBRAS DE 1982 A 2016 

 

Barbara C. Mafra

Mestranda

 (UFSC/PPGLIT-CAPES)

 

Esta proposta de comunicação visa apresentar os epitextos das obras do autor italiano Dario Fo (1926-2016) no Brasil, com enfoque em artigos, críticas, releases e sinopses em jornais, no eixo Rio-São Paulo (online e impressos), no período de 1982 a 2016. A presente análise, a partir destes epitextos, tem como objetivo esboçar o cenário da inserção das obras do autor no país, no recorte especificado, assim como identificar o espaço que as traduções de seus textos, suas adaptações e suas interpretações teatrais ocupam/ocuparam no Brasil, demonstrando a relevância e importância do autor enquanto dramaturgo e literato, no país.

 

 

CELEBRIDADE E CURIOSIDADE EM TORNO DA FIGURA DE GIOVANNI PAPINI:

UM ESTUDO SOBRE OS PARATEXTOS

 

Aline Fogaça dos Santos Reis e Silva

Doutoranda (FFLCH/USP) – Bolsista Capes

 

O ano de 1923 testemunha a primeira tradução de Giovanni Papini no Brasil: Um homem acabado (A. Tisi & Cia.). O prefácio a essa edição é do modernista Candido Motta Filho, no qual ele afirma a notoriedade do escritor italiano em meio ao cenário literário brasileiro. Diz ele ainda que “Papini é célebre”, no entanto, no limite da curiosidade: naquele momento, talvez se soubesse mais de suas ideias – e da modernidade que continham–, de sua arrogância, de sua conversão do que de sua obra. A celebridade em torno de seu nome pode ser confirmada por prefácios como esse, o chamado “peritexto editorial” (GENETTE, 2009); e também pela fortuna crítica gerada através dos muitos “epitextos”, o material além do espaço do livro. Ainda sob essa perspectiva, como pensar os epitextos que se transformaram em peritextos? Pois é este o caso de dois artigos de Alceu Amoroso Lima, publicados primeiramente na Folha de S. Paulo e, posteriormente, coligidos para a apresentação da reedição de Palavras e sangue (Bruguera, 1970); e dos variados diários de Papini que tornar-se-ão obras póstumas. Nesse sentido, o objetivo da presente comunicação é o exame da repercussão/recepção de Giovanni Papini nas letras brasileiras, por meio da análise das ocasiões temporais dos paratextos.

 

 

OS PREFÁCIOS DA DIVINA COMÉDIA NO BRASIL: UM PRIMEIRO OLHAR

 

Fernanda Moro Cechinel

Mestranda (UFSC)

 

Um livro é composto por diversos elementos que vão muito além do texto literário, a esses chamamos de paratextos. O presente artigo apresentará os dados iniciais acerca dos prefácios das traduções brasileiras, tanto em prosa quanto em verso da Divina Comédia, publicados durante o século XX. Para tanto utilizou-se como referência principal a obra de Gérard Genette, Paratextos Editorais (2009), da qual foram extraídas as informações sobre os prefácios aplicando-as no corpus dessa pesquisa. Os prefácios obtidos até o momento foram coletados nas obras disponíveis nos acervos da Biblioteca Universitária e do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como, do Dicionário de Literatura Italiana Traduzida (DLIT UFSC/USP). Por fim, apresentar-se-á também um panorama das próximas etapas dessa pesquisa.